sexta-feira, abril 01, 2011

A Primeira Vez que Vi Paris - Marília Galvão

Antes de ir a Paris, a Marília escreveu uma paráfrase em homenagem à cidade, que postamos aqui no blog. E ela gostou tanto da experiência na França que a usou de inspiração para mais um texto - agora uma crônica. Mais uma vez Marília transborda talento, transformando em palavras o que viveu em Paris. Claro que isso não ia ficar de fora do nosso blog, né?

Em dezembro, quando publicamos Vou-me embora pra Paris, ficamos torcendo para que ela se inspirasse no passeio e nos mandasse outro texto. Bem, a torcida funcionou e agora você fica com a crônica de Marília Galvão, A Primeira Vez que Vi Paris. Boa leitura!

A Primeira Vez que Vi Paris

Sempre quis conhecer Paris. Desde jovem. Um amigo me disse – mas ainda és jovem, só que há mais tempo. Pois na maturidade, fui a Paris. Essa cidade invadiu meu ser pelos cinco sentidos. Não tive medo de ser feliz. Vivi momentos gloriosos, inesquecíveis. Agora, com uma única palavra eu a defino – Surpreendente!

Estive lá em janeiro. Mesmo no inverno, com as árvores secas, o céu cinza, alguns flocos de neve e gelo no chão, você vai se deslumbrar com a paisagem da cidade e a agitação dos parisienses. O charme e a sofisticação estão em todos ambientes aonde você for. Aquecidos, por certo.

Paris conta história na arquitetura, nos museus, nas igrejas e avenidas, nos parques, teatros, até nos cemitérios. Lá tudo transpira arte, cultura, beleza, harmonia.

Estando lá, faça o lado clássico do programa. Suba na Tour Eiffel também ao entardecer, quando as luzes da cidade se acendem. Visite os museus. Há tantos. O Louvre impressiona pelo tamanho, pela arquitetura e pelo acervo de obras. O maior do mundo. Consulte o mapa e selecione o que você acha mais importante, a não ser que você tenha uma semana disponível tão somente para isso.

Gostei, em especial, do Musée d’Orsay. Trata-se de uma antiga estação de trem, transformada em lar dos impressionistas. Admirar telas de Monet , Renoir e outros me deixou extasiada. Puxa vida, eu estava diante das obras feitas por eles. Que vontade de vê-las também com as mãos! Claro que um segurança me impediria. Mãos nos bolsos.

Outro museu merecedor de uma visita é o Musée Cluny. Situado no Quartier Latin, construído em 1500, guarda tesouros misteriosos, armaduras, objetos, trajes e jóias dessa época. Expõe tapeçarias enormes, estilo millefleurs – muitas flores, animais e pessoas em cenas do dia a dia - descobertas no século XIX. A personagem central das tapeçarias é La Dame à La Licorne, cuja identidade é desconhecida, o que fascina o público e desafia a imaginação dos especialistas.

No Palais de Versailles também não se pode deixar de ir. Bosques, jardins, fontes, Le Grand e Le Petit Trianon. Você estará nos ambientes em que os reis da França viveram: Luís XIV, Luís XV, Luís XVI. Ah, e a Rainha Maria Antonieta.

Em Paris tudo é superlativo. Prepare-se para caminhar muito. Com esse pensamento, adentre pelas dependências do Musée de L’Armée e Hôtel des Invalides, primeiro foi quartel, depois hospital para as centenas de soldados feridos nas guerras. Na Igreja estão os restos mortais de Napoleão Bonaparte. Ali pertinho, caminhe pelas margens do Sena, pelo Jardin des Tuilleries, arredores de l’Arc de Triomphe e pela avenida mais charmosa do mundo - a Champs-Élysées. Se puder por ela andar tarde da noite, quando deserta, você entenderá o porquê de tanta magia.

Cada arrondissement de Paris tem encantos próprios. Um deles, o Marais, dos mais antigos, com suas ruas estreitas e a Place des Voges, prédios medievais, galerias de arte, lojas chiques e cafés convida para ficar. Montmartre é outro que, pelas características, quase me deixou sem fôlego. Não por subir suas ladeiras, mas pelo espetáculo que é ver Paris do alto da Basílica de Sacré Coeur, inclusive a igreja, muito linda. Ali pertinho, em frente à Place du Tertre, há um restaurante legal chamado Au Clairon des Chausseurs. Ali provei e amei os tais escargots. Montmartre é a colina dos artistas. Ao descer, na volta, pela Rue Lépic, onde Van Gogh morou, você vai dar em Pigalle, e verá o Moulin Rouge, cabaré criado em 1889, imortalizado nas telas de Toulouse Lautrec.

Tive a impressão de que Paris é uma cidade e muitas. Creio que tudo o que há de bonito está lá, tudo deve ser visto, a Igreja Notre Dame, o Panthéon, o Ópera Nacional Palais de Garnier. Tudo dá arrepios. O Sena, as pontes e os prédios próximos às margens. O que pulsa nas ruas, a imagem do homem com o realejo, o tocador de sax, os saltimbancos da Place de La Bastille, as crianças sentadas ao redor da escultura O Beijo, de Rodin, ouvindo a explicação da professora, os parisienses lendo no metrô...

Por falar neles, utilize a regra: os melhores restaurantes e cafés são os freqüentados pelos parisienses. Pode-se comer bem em qualquer parte de Paris. Restaurantes, bistrôs ou brasseries são atrativos, pitorescos, aconchegantes. Os cardápios estão expostos pelo lado de fora com os preços. É tradição servirem, junto com a refeição, pain e moutarde. Isso não é cobrado, nem a carafe d’eau que você pedir. Os vinhos são ótimos.

Recomendo como imperdível um dos restaurantes mais conhecidos de Paris – La Coupole, no Boulevard de Montparnasse inaugurado em 1927. Além do cardápio rico, a decoração é Art Nouveau, com pinturas de artistas da época. Lembre-se, quando entrar, de pensar em Picasso, Hemingway, Sartre, Gainsbourg, Jane Birkin...

Quanto aos cafés, são muito românticos.

Paris me fisgou também pelos detalhes. E que detalhes! Como não ver a iluminação, os lampiões, as cabines telefônicas e as bancas de jornais, as grades do chão ao redor das árvores, vitrines, fachadas, portas, janelas, entradas de metrô remanescentes da Belle Époque, os carrossseis...

Na Cidade Luz até o que é contemporâneo ou futurista convive em harmonia com a Paris tradicional - obras polêmicas e belas – a Torre Eiffel, a pirâmide de vidro do Louvre, a Torre de Montparnasse, o Bairro La Défense com prédios altos e modernos, o Centre Pompidou, museu de arte moderna com estruturas aparentes.

A primeira vez que vi Paris não será a última. Ainda ficou muito por descobrir e rever. Alguém me perguntou sobre o que eu mais gostei. Difícil responder. Lá tudo é único. Acredito que o melhor de Paris pode ser desvendado por conta própria, por cada um.

Marília Galvão

10 comentários:

  1. Ai Marília, lindo o texto...acabei de reviver um dos momentos mais lindos da minha vida...Paris é realmente surpreendente!
    Um forte abraço,
    Bianca Krug

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  2. Me emociono cada vez que leio. PERFEITO! Parabéns pelas palavras e essa só foi a primeira vez que tu viu Paris!!! Beijos e sucesso nas crônicas!

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  3. Marília
    Acredito que fostes tomada pelo sentimento de toda primeira vez em Paris... Cada retorno à Cidade Luz é único e emocionante... quando a gente volta para lá parece que encontrou um pedaço do coração que lá deixou ao partir...
    Aguardaremos então uma segunda crônica sobre "Ma seconde fois à Paris"
    Bs
    Luciana

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  4. Parabéns Marília!!

    Lindo texto que traduz não apenas o teu sentimento, mas sim o sentimento de muito de nós, presentes nesta incrível jornada!!

    Compartilho contigo cada vírgula ali exposta.

    Maeli

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  5. Tão bacana que dixa qualquer um louco para ir prá lá... fiquei com água na boca!! Parabéns, mãe, por mais uma crônica deliciosa!
    Fabi Galvão

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  6. Que legal! Ah, Marília, desse jeito tu vais virar colaboradora habituelle do blog!!
    A primeira vez que eu vi Paris eu fiquei meio tonta. Tanto que anos depois eu já não sei mais o que eu vi mesmo e o que eu só imagino que vi.
    Bisous
    Gisele

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  7. Parabéns Marília!
    Ainda não tinha ido a Paris, mas posso dizer que teu texto me possibilitou ver Paris. Como não viajar com uma narrativa dessas.
    Um beijo GRANDEEEEEEEEE
    Cora

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  8. Linda Marília, nos ofereceste - no lindo texto - uma Paris magnífica,luminosa e fascinante! Vou imprimir o ilustrativo e amoroso texto sobre a cidade mais charmosa do mundo, para lê-lo de quando em vez, e levá-lo comigo na próxima viagem! Obrigada. Abraços da "parenta".
    Mª Helena

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  9. Realmente, para mim, Paris foi meu baile de gala.
    Camila Braga

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